segunda-feira, 17 de agosto de 2009

TVs pagas já admitem o fim do MMDS

Por Fatima Fonseca
11 de agosto de 2009

Os operadores de TV por assinatura já formaram suas opiniões sobre o futuro do MMDS no país e elas estão divididas: a maioria afirma que, mantidas as atuais propostas de destinação das faixas de frequência de 2,5 GHz colocadas em consulta pública e que transferem 140 MHz do MMDS para o SMP até 2015 (reserva apenas 50 MHz para o MMDS) significa o fim das operações por micro-ondas no país. A exceção foi a presidente da TVA Leila Loria, que acredita que há chances de se reverter a proposta em discussão. O assunto foi um dos temas de destaque na abertura do congresso da ABTA 2009, aberto hoje em São Paulo. “O MMDS está ameaçado por uma consulta pública, inviabilizando a TV paga e a banda larga em várias cidades do país, indo na contramão da universalização da banda larga”, afirmou Alexandre Annenberg, presidente da ABTA.

“O MMDS do jeito que está a consulta pública vai acabar, porque deixa o espectro limitado”, completou o presidente da Sky, Luiz Eduardo Baptista. “Está-se cometendo um novo erro com o mesmo viés do passado”, afirmou, defendendo que o ideal seria um consenso, “ter um limite de dotação do espectro independente de freqüência”, o que não acontece, segundo ele, porque “não querem concorrência”. A Sky finalizou este ano a compra da ITSA (Mais TV, antiga TV Filme), operadora de MMDS com a intenção entrar no mercado de banda larga. “Agora, não sei o que vou fazer com essa operação”, afirmou.

O presidente da Net, José Felix, disse que sua maior preocupação hoje é com o cabo e não com o MMDS. A Net tem três operações em MMDS (em Curitiba, Porto Alegre e Recife) e o maior problema, segundo ele, é em Recife, onde a empresa tem 31 canais, que ocupam atualmente 186 MHz. “Não sei como vamos resolver em Recife, talvez, digitalizar, fazer um investimento para o remanejamento dos canais”. Para Felix, o maior problema é que o país está “dando um passo contrário à competição e pró-concentração. Não tenho dúvida de que as freqüências ficarão nas mãos dos grandes grupos”, destacou. A aposta da Net, no entanto, sempre foi no cabo, enfatizou.

Já a presidente da TVA está otimista quanto a possibilidade de se reverter a proposta colocada em consulta pública. “Estamos vivendo de novo o que houve há três anos, quando tivemos uma consulta pública parecida com essa, embora não tão drástica. Durantre 14 meses trabalhamos junto a Anatel e depois saiu o regulamento para a primeira rede multisserviços”, lembrou Leila Loria.

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